

AS ORIGENS DE UM NOME
Pode parecer curioso e até mesmo contraditório que a palavra "boxer", de origem inglesa, tenha se atibuído a uma raça oficialmente alemã. Esta contradição mostra todas as disputas que antigamente ocorreram entre a Alemanha e a Grã-Bretanha quando se tentou definir a nacionalidade da raça. Na realidade, não se conhece precisamente as razões que levaram os cinólogos a chamar este cão de "boxer". Na sua obra Dogues et Bouledogues, o doutor Maurice Luquet segere que foi a seita chinesa I-Hon T'uan, que se rebelou contra a presença ocidental na China, no começo do século, e cuja denominação inglesa é principalmente "boxer", o que teria inspirado os criadores britânicos. É certo que deste cão pode se encontrar as características de tal seita, a seber, a valentia, a abnegação, e a fidelidade, qualidades que tinham impressionado aos europeus. A Philip Stockmann, um dos primeiros criadores alemães de Boxers, a denominação inglesa o deixou surpreso. Propos substituí-la por kampfer (lutador ou boxeador em alemão), mas sua proposta não teve o respaldo das instâncias oficiais. "Boxer" foi então mantido como denominação oficial, satisfazendo os aficionados britânicos, que se afirmaram aos quatro cantos que as verdadeiras origens deste cão estavam em seu país.
ESCOLHENDO A COR
O professor de genética tem estudado como se transmite a cor do pêlo nos Boxers. Não descrevemos suas experiências, mas é interessante sublinhar algumas das conclusões a que o cientista chegou. A união do Boxer baio claro com baio escuro produzirá cães com tonalidades intermediárias. A união de dois Boxers baios claros, terá como resultado um maior número de exemplares claros do que exemplares de baio mais intenso. A união de dois Boxers de cor baio mais intenso produzirá mais exemplares de cor escura do que de cor clara. A união de um Boxer tigrado com um de baio dará uma distribuição igual de exemplares baios e tigrados; a união de dois Boxers tigrados dará dois terços de exemplares tigrados e um terço de não tigrados. Em todo caso, estes resultados podem variar segundo os exemplares, mas está provado que a união de dois Boxers de pêlo tigrado nunca dará um Boxer de pêlo tigrado.
BOXERS DE TODOS OS PAÍSES
No congresso internacional dos Boxers Clubs europeus de 1950, foi criada uma Associação Técnica Internacional do Boxer (ATIBOX), cujo objetivo era estudar a evolução da raça pelo mundo. Em 1974, Karyn Rezewski apresentou ao congresso da ATIBOX uma interessante síntese sobre o nível de criação em vários países. Assim, soube-se que o Boxer tinha se popularizado bastante na Hungria, e que seu número havia aumentado muito. No entanto, esse crescimento produziu uma queda da qualidade. Na Itália, ao contrário, a criação dos anos setenta tinha alcançado um nível muito alto, mas com poucos efetivos. A criação inglesa era qualificada como "muito boa" e se ressaltava que "os criadores britânicos, que em geral tem muita experiência, conseguiram uma rápida recuperação do Boxer depois da guerra, sem precisar de diretivas especiais e quase sem monitorarão". O documento informava também que os norte americanos tinham descuidado muito deste cão sólido, produzindo exemplares de prestígio, espetaculares para apresentação, aspecto e andaduras, porém mais distantes da raça. Como era de se esperar, a criação alemã foi mais valorizada, beirando a perfeição. Mesmo assim, Karyn Rezewski assinalava que grande parte desse êxito se dava à disciplina dos criadores alemães, que aceitavam as regulamentações e as diretivas bastantes restritas ao Club. Seus freqüentes e rigorosos controles permitiam limitar, na medida do possível, os defeitos hereditários dos exemplares produzidos, especialmente no que se diz a respeito à cabeça. O autor do relatório da ATIBOX dizia que os alemães deveriam se esforçar para melhorar a qualidade da construção e buscar certa nobreza, e não só a simples harmonia das formas. Ainda que alguns proprietários de Boxers não concordem com estas recomendações, elas refletem muito bem as exigências dos Clubes.
E OS DEUSES CRIARAM ROLF
Na genealogia de muitas raças, quase sempre se encontram um ou vários cães que por suas qualidades excepcionais marcam com sua figuras muitas gerações. Todos os aficionados ao Boxer já ouviram falar de Rolf von Vogelsberg, nascido em 1910, que demostrou ser um dos melhores exemplares da raça. De cor tigrada, marcado com uma mancha branca na nuca, media 59 cm. Tinha a cabeça, os ombros, as patas e os aprumos de acordo com todos os pontos do padrão e membros posteriores de uma qualidade desconhecida até então na variedade tigrada. É preciso levar em conta que Rolf von Vogelsberg contava com uma ascendência bastante excepcional. Era tataraneto de Meta von der Passage, que pode ser considerado como o ancestral dos Boxers do século XX, e que deu origem a Hugo von Pfazgau, pai de Kurt von Pfazgau (pai de Rolf). A notoriedade de Rolf se deve em grande parte a Friederun e Philip Stockmann, um casal de criadores alemães cujo trabalho contribuiu amplamente para ao apogeu da raça. Quando adquiriram Rolf, fizeram o possível para tirar o melhor de suas qualidades, em particular as de reprodutor. Também fazem parte da história da raça de outros cães do canil "von Dom" dos Stockmann. Deles mencionamos a Sigurd von Dom e Lustig von Dom, que foram dois campeões excepcionais. Uma criadora alemã chamada Parentis fez uma merecida homenagem a Friederun e Philip Stockmann, na revista Boxer Blatter: "nenhuma outra raça oferece exemplos semelhantes de uma criação tendo uma influência tão grande na elaboração e formação". Por último, acrescentamos que Friederun Stockmann, originária da Riga, fora de Munique para continuar seus estudos de arte. Notável escultora e desenhista, deixou para a posteridade notáveis ilustrações de Boxers.
TAL CÃO, TAL DONO
Fala-se muito sobre a semelhança, ou mais exatamente a cumplicidade, que existe entre certos cães e seus donos. O professor Queinnec e sua equipe da escola veterinária de Toulouse têm estudado a associação "homem-cão" e elaboraram alguns perfis de proprietários e os publicaram numa obra com o título Un homme qui comprend les chiens. Nela se diz muitas coisas sobre os donos de Boxers: "o Boxer normalmente pertence a pessoas de boa posição social. Os donos vivem em zonas urbanas, com garagem e jardim (80%), e também crianças (73%). Os que tem três filhos tendem a ter vários Boxers, o que por um lado demostra as boas relações criança-Boxer e, por outro, que, apesar de uma lenda persistente, o cão acompanha as pessoas com quem se sinta suficientemente bem, como se tivesse algum parentesco, e não apenas como um bichinho de pelúcia". Também se comprova que, mesmo que os proprietários de Boxers amem este cão, 30% deles, sobretudo mulheres, a posteriori preferem outra raça. O professor Queinnec concluiu que 30% estão formados por pessoas que não conheciam o temperamento energético do Boxer quando o compraram. Outro ponto bastante divertido: os proprietários de Boxers não gostam do Pastor Alemão nem do Dachshund; mas sim do Cocker e do Dogue Alemão. Por outro lado, 60% dos donos acreditam que é preciso educar o cão com firmeza, 20% com liberdade, e outros 20% com compreensão. O proprietário de um Boxer se interessa por esporte e cultura; é sociável, extrovertido, leal e confiado, porém atento. E para quem ainda duvidar de definitivamente um dono se parece com seu cão, a equipe do professor Quinnec comprovou que mais da metade dos proprietários presentes no estudo tem o rosto arredondado, parecido com o do animal. Comprovação é muito antiga e já se encontrava num jornal de Stuttgard que, em 1865, publicou a reprodução do desenho dum soldado e seu cão, um Bullenbeisser, que se pareciam em tudo.

REFERÊNCIA: NOSSOS AMIGOS, OS CÃES: BOXER; EDITORA PLANETA